A Amamentação
A mulher que não queira ou não possa amamentar não
deve culpabilizar-se ou ser culpabilizada, porque, acima
de tudo, deseja-se o bem-estar (físico e psicológico) e a harmonia materno-fetal.
A mãe deve gozar ao máximo o seu bebé. Deve
aconchegá-lo, acarinhá-lo, dar-lhe colo e brincar com
ele, estabelecendo, desta forma, um forte e sólido vínculo.
O colostro surge a partir do 5.º mês de gestação e permanece até ao 10.º dia após o parto, altura em que se mistura com o leite maduro. Tem aspecto aguado, mas fornece ao recém-nascido todos os nutrientes de que necessita nessa etapa da vida. Tem maior quantidade de anticorpos, o que faz com que o bebé esteja mais protegido contra bactérias e vírus. É menos calórico, mas mais proteico, o que permite que o bebé fique satisfeito, apesar de comer pequenas quantidades várias vezes ao dia. É laxativo, ajudando o bebé a eliminar o mecónio (primeiras fezes do bebé verde escuras e espessas).
O leite maduro inicia-se entre o 2.º e o 4.º dia e está misturado com o colostro. Contém todos os nutrientes necessários ao crescimento e para manter a saúde do bebé (dentes e ossos fortes).
As gorduras do leite maduro são qualitativamente diferentes das do leite de vaca, diferenças essas que podem fazer com que o leite de vaca possa causar diarreia quando ingerido por recém-nascidos prematuros ou doentes.
O leite materno evolui, adaptando-se às necessidades do bebé.
Vantagens do aleitamento materno
Saúde da criança - O leite materno tem anticorpos, pelo que quanto maior for a duração do aleitamento materno maior
será o grau de protecção do bebé. O aleitamento materno exclusivo nos primeiros cinco meses de vida diminui a prevalência de doenças crónicas na infância (asma, obesidade, diabetes...) |
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Benefícios para a mãe:
- Diminui a hemorragia pós-parto;
- Permite a recuperação uterina mais rápida;
- Diminui o risco de cancro de mama e ovários;
- Diminui o risco de osteoporose na pós-menopausa;
- Promove a ligação mãe bebé;
- Vantagem económica - Mais barato, mais prático, sempre disponível e menor número de infecções.
Contra-indicação do leite materno
- Desordens médicas (bebés com galactossemia, mãe com tuberculose activa
e não medicada);
- Vírus (mães com VIH e com lesões activas de herpes no peito);
- Medicação (quimioterapia, radioterapia, antimetabólicos, lítio, atropina, cloronfenicol, ciclosporinas...). O uso prolongado de medicação sedativa pode causar sedação e síndrome de abstinência no bebé Os médicos devem ter conhecimento de qualquer medicação que a mãe esteja a tomar, de forma a aconselhá-la, sobre o seu uso.
Condições que não constituem contra-indicação ao aleitamento materno
- Mãe com hepatite B - bebé pode ser vacinado (VHB) e deve fazer imunoglobulina VHB, nas primeiras horas de vida;
- Hepatite C - apresenta risco potencial, deve ser ponderado risco/benefício.
CMV (citomegalovírus);
- Mãe fumadora;
- Cancro de mama - tem de parar de amamentar quando inicia a quimioterapia
- Redução de peito - risco de lactação insuficiente
- Mamilos invertidos não devem impedir aleitamento materno
- Mastite aguda - as mães devem dar de mamar com mais frequência.
Como e quando amamentar
A frequência das mamadas é imposta pelo bebé, no entanto, nos primeiros meses de vida, este deve mamar de duas em duas horas, podendo fazer uma pausa maior durante a noite, até quatro horas. É bom lembrar que quanto mais mamadas o bebé fizer maior será a produção de leite materno.
Não existem receitas quanto à duração da mamada, cada bebé tem o seu ritmo e força de sucção, assim como as necessidades nutricionais são diferentes para cada bebé.
Existem bebés que mamam 10 minutos, outros 20, e ficam satisfeitos.
A mãe deve observar se a sucção do seu filho é eficaz (não fazer da mama chucha), se esvazia a mama (a mama fica mole e mais leve após a mamada).
O bebé deve esvaziar completamente a 1.ª mama, só depois deve passar para a outra. Uma boa pega é essencial (o bebé deve «abocanhar» a auréola e o mamilo). A mãe deve manter um posicionamento correcto, o bebé vai à mama e não vice-versa, um ambiente calmo e evitar o stress.
Durante o intervalo da mamada deve colocar o bebé sempre a arrotar (o arroto favorece a saída de ar que o bebé ingeriu a mais, libertando espaço no estômago para caber mais leite).
Alguns sinais que nos ajudam a perceber a eficácia do aleitamento materno
- Boa evolução ponderal;
- Várias dejecções por dia (fezes moles com perda de líquido);
- Bebé com boa vitalidade.
É de salientar que todos os bebés durante os primeiros dias de vida perdem peso, ao fim de uma semana inicia-se o processo inverso (aumento ponderal).
O acto de amamentar promove uma ligação muito forte entre mãe-filho, este sentimento/interacção é denominado por vinculação afectiva.
Artigo de opinião de:
- Enf.ª Neusa Santos
Unidade de Neonatologia, Hospital de Santa Maria
- Enf.ª Nádia Elawar
Unidade de Neonatologia, Hospital de Santa Maria
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Informação editada em Nov. 08.